
A asma é uma doença inflamatória das vias respiratórias que pode provocar episódios de tosse, chiado, falta de ar e sensação de aperto no peito.
Nas crianças, os sintomas podem variar bastante ao longo do tempo e podem ser desencadeados ou agravados por fatores como infecções respiratórias, exposição a alérgenos, fumaça, poluição, mudanças de temperatura e esforço físico.
Para os pais, compreender esses fatores é importante não apenas para lidar com uma crise, mas principalmente para ajudar a criança a manter a doença controlada no dia a dia.
Para ajudar você nesse tarefa, montei esse guia prático e objetivo com dicas que podem ajudar a minimizar os riscos de crises, bem como atenuá-las quando elas acontecerem.
Em crianças com asma, especialmente quando existe associação com alergias respiratórias, merece atenção a presença de ácaros, mofo, poeira, pelos e partículas em suspensão.
Isso não significa transformar a residência em um ambiente completamente livre de microrganismos ou poeira (até porque isso é impossível!), mas sim em reduzir exposições relevantes e manter os ambientes limpos, secos e bem ventilados.
Um ponto importante: a presença de um determinado fator no ambiente não significa necessariamente que ele seja o responsável pelos sintomas da criança, a investigação dos possíveis desencadeantes faz parte de nossa avaliação médica, daí a importância do especialista identificar os gatilhos que desencadeiam as crises do seu filho.
É comum que os pais tenham receio de permitir que uma criança com asma pratique esportes, no entanto, a atividade física faz parte de uma vida saudável e, quando a asma está adequadamente controlada, a criança pode (e deve!) praticá-la normalmente.
No entanto, em algumas crianças, o exercício pode provocar sintomas de asma, especialmente quando a doença não está bem controlada. Para evitar esses quadros você deve estar atenta aos seguintes sinais:
Esses sinais não significam que a criança deva abandonar a atividade física, mas podem indicar a necessidade de reavaliar o controle da asma e o tratamento, inclusive antes da prática esportiva.
Resfriados e outras infecções respiratórias podem desencadear ou agravar sintomas de asma, por isso, é comum que algumas crianças apresentem piora da tosse ou do chiado durante esses episódios.
Você deve observar especialmente:
Além de acompanhar os sintomas, é importante manter as medidas preventivas recomendadas para a criança, incluindo vacinação conforme orientação do pediatra e das autoridades de saúde.
Durante uma infecção respiratória, não é recomendado alterar por conta própria as doses ou suspender medicamentos de controle da asma. Se houver mudança importante no padrão dos sintomas, a criança deve ser avaliada.
A fumaça do cigarro é um importante irritante das vias respiratórias e pode contribuir para o agravamento dos sintomas da asma.
Além da fumaça do cigarro, outros irritantes podem afetar as vias respiratórias:
Sempre que possível, a criança deve ser mantida afastada desses ambientes.
Em dias de maior poluição atmosférica, crianças que apresentam sensibilidade a esses fatores podem precisar de cuidados adicionais, definidos de acordo com seu quadro clínico.
Um dos pontos mais importantes do controle da asma é compreender que medicamentos de controle e medicamentos de alívio têm funções diferentes.
Os medicamentos de controle, quando prescritos, são utilizados regularmente para reduzir a inflamação das vias respiratórias e diminuir o risco de sintomas e exacerbações.
Já os medicamentos de alívio são utilizados para controlar sintomas agudos, de acordo com o plano definido pelo médico.
Mesmo quando o medicamento foi corretamente prescrito, uma técnica inadequada pode fazer com que uma quantidade menor do medicamento alcance as vias respiratórias.
Por isso, é importante que o médico ou outro profissional de saúde observe periodicamente como a criança utiliza o dispositivo e faça as correções necessárias.
Além das crises mais evidentes, existem sinais no cotidiano que podem indicar que a doença precisa ser reavaliada.
Fique atento se a criança:
Esses sinais não devem ser analisados isoladamente. A avaliação médica considera a frequência e a intensidade dos sintomas, os fatores desencadeantes, a idade da criança, o histórico de exacerbações e a resposta ao tratamento.
Durante uma piora dos sintomas, os pais devem observar principalmente a dificuldade respiratória e o estado geral da criança.
Pais de crianças com asma devem conversar com o médico sobre um plano de ação para asma, estabelecendo previamente como reconhecer uma piora, quais medicamentos utilizar e em que momento procurar atendimento.
A asma é uma doença que pode apresentar períodos de maior e menor intensidade. Por isso, o acompanhamento não deve acontecer apenas quando a criança está em crise.
Nas consultas, o alergista pode avaliar:
O tratamento pode precisar ser ajustado ao longo do tempo, de acordo com a evolução da criança.
Cuidar de uma criança com asma envolve muito mais do que saber o que fazer durante uma crise: o controle da doença começa na rotina, na identificação dos possíveis gatilhos, nos cuidados com o ambiente, na prática segura de atividades físicas, na prevenção de infecções e, principalmente, no uso correto do tratamento prescrito.
Com acompanhamento adequado, orientação individualizada e participação ativa da família, a asma pode ser controlada e não precisa impedir a criança de brincar, estudar, praticar esportes e participar normalmente das atividades próprias da infância.
Se a criança apresenta sintomas respiratórios recorrentes, crises de chiado, tosse frequente ou falta de ar, a avaliação por um alergista pode ajudar a esclarecer o diagnóstico e definir a estratégia de tratamento mais adequada para cada caso.