Marcha atópica: como a dermatite pode evoluir para asma e rinite

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4 de novembro de 2025

Marcha atópica: como a dermatite pode evoluir para asma e rinite

É importante entender primeiro o que é dermatite atópica, uma doença inflamatória crônica da pele, de origem multifatorial, caracterizada por ressecamento intenso, prurido (coceira) e lesões que podem variar conforme a idade e a fase da doença.

É uma condição comum na infância, mas que também pode persistir ou surgir na vida adulta.

Importante reforçar que, mais do que um problema cutâneo isolado, a dermatite atópica faz parte de um contexto sistêmico de desregulação do sistema imunológico, frequentemente associado a outras doenças alérgicas.

Mecanismos imunológicos e alterações da barreira cutânea na dermatite atópica

Na dermatite atópica, ocorre uma alteração da barreira cutânea, principalmente por deficiência de proteínas estruturais da pele, como a filagrina.

Essa falha faz com que a pele perca água com mais facilidade e se torne mais permeável à entrada de alérgenos, microrganismos e agentes irritantes.

Ao mesmo tempo, há uma resposta imunológica exagerada, mediada principalmente por vias inflamatórias do tipo Th2, com liberação de citocinas que mantêm a inflamação ativa, cenário que favorece não apenas a inflamação da pele, mas também a sensibilização do organismo a alérgenos ambientais e alimentares.

O que é a marcha atópica?

A marcha atópica descreve a sequência com que as doenças alérgicas podem surgir ao longo da vida e, quando a dermatite atópica aparece precocemente e apresenta maior gravidade, ela frequentemente antecede o desenvolvimento de outras manifestações alérgicas, como a rinite alérgica e a asma.

Isso acontece porque a sensibilização iniciada pela pele facilita respostas inflamatórias em outros órgãos-alvo, como as vias aéreas superiores e inferiores, assim, a inflamação deixa de ser apenas cutânea e passa a envolver o sistema respiratório.

Dermatite atópica pode evoluir para asma e rinite?

Pode, mas não é uma regra: nem todo paciente com dermatite atópica desenvolverá asma ou rinite. No entanto, o risco é maior quando a doença é mal controlada, persistente ou associada a fatores genéticos e ambientais.

O controle adequado da inflamação cutânea, especialmente nos primeiros anos de vida, pode reduzir a intensidade da sensibilização alérgica e ajudar a interromper essa progressão, por isso, reconhecer a dermatite atópica como parte de um processo sistêmico faz toda a diferença no cuidado a longo prazo.



Cuidados diários que ajudam a prevenir complicações

O manejo da dermatite atópica vai muito além do tratamento das crises: os cuidados diários são fundamentais para proteger a barreira cutânea e reduzir estímulos inflamatórios constantes, dentre eles vale citar:
  • Hidratação regular da pele: uso diário e frequente de emolientes adequados ao perfil do paciente ajuda a restaurar a barreira cutânea e reduzir a perda de água transepidérmica, mesmo nos períodos sem lesões aparentes.
  • Banhos curtos e mornos: evitar água quente e banhos prolongados, que removem a camada lipídica natural da pele e favorecem o ressecamento e a inflamação.
  • Uso de produtos de higiene suaves: sabonetes sem fragrância, com pH adequado e formulações específicas para pele sensível reduzem a irritação cutânea.
  • Evitar agentes irritantes: contato com fragrâncias, cosméticos não indicados, produtos de limpeza agressivos e tecidos sintéticos pode agravar a inflamação da pele.
  • Preferir roupas de tecidos naturais: algodão e fibras naturais permitem melhor ventilação da pele e reduzem atrito e sudorese excessiva.
  • Controle do suor e do calor: ambientes muito quentes e úmidos favorecem o prurido; sempre que possível, manter a pele fresca e seca.
  • Evitar coçar a pele: o ato de coçar perpetua o ciclo da inflamação, piora as lesões e aumenta o risco de infecções secundárias.
  • Adesão correta ao tratamento prescrito: o uso adequado de medicamentos tópicos ou sistêmicos, conforme orientação médica, é fundamental para o controle da doença.
  • Acompanhamento médico regular: consultas periódicas permitem ajustar o tratamento, identificar fatores desencadeantes e prevenir a progressão da doença.

Esses cuidados, quando realizados de forma contínua, não apenas aliviam os sintomas da pele, mas também contribuem para um melhor equilíbrio do sistema imunológico como um todo.

O papel do alergista na prevenção da marcha atópica

O acompanhamento com o médico alergista é fundamental não apenas para o controle adequado da dermatite atópica, mas também para reduzir o risco de progressão para outras doenças alérgicas ao longo do tempo: ao compreender a dermatite como parte de um processo inflamatório sistêmico, o alergista avalia fatores desencadeantes, investiga sensibilizações alérgicas associadas e orienta estratégias individualizadas de prevenção.

Essa abordagem, que considera a dermatite atópica como parte de um processo alérgico sistêmico e em interação constante com fatores ambientais, permite identificar precocemente sinais de envolvimento das vias aéreas, como rinite alérgica e asma, além de ajustar o tratamento de forma contínua conforme a fase da doença e o perfil do paciente.

Com intervenções oportunas e acompanhamento regular, é possível não apenas controlar os sintomas cutâneos, mas também atuar de forma preventiva na chamada marcha atópica, promovendo melhor qualidade de vida e desfechos clínicos mais favoráveis a longo prazo.

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